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Runner Wannabe

Corredora amadora à beira dos 40, que aspira um dia começar e terminar um trail: a respirar, a conseguir proferir palavras do tipo “ajudem-me” e “água” ... e em controlo das suas funções biológicas básicas.

Runner Wannabe

Corredora amadora à beira dos 40, que aspira um dia começar e terminar um trail: a respirar, a conseguir proferir palavras do tipo “ajudem-me” e “água” ... e em controlo das suas funções biológicas básicas.

24
Mar17

Caminhar, antes de correr!


Runner Wannabe

Já estou parada há muito tempo e a lesão vai melhorando pouco a pouco. O mestre das mãozinhas mágicas tem agenda cheia até 2018 - estou a exagerar - mas vou ter que esperar uns dias....valentes, até que me ponha as mãos em cima - literalmente! Entretanto aconselhou-me a fazer massagens e gelo....e eu...vou fazendo...umas caminhadas também!

 

Um olhar sobre o passado recente.

Não é preciso recuar muito...basta um ano, para melhor perceber em que condições físicas comecei nas primeiras corridinhas versus a minha condição actual, após  lesões consecutivas.

 

Há um ano - por esta altura - baixou em mim a possibilidade de concretizar um desejo que já contava com alguns anos. Ir a Santiago de Compostela, a pé. Caminhar não era a minha cena, a minha cena era....bicicleta (BTT). Não que fizesse grandes quilometragens....hmmm...a contar com o fim-de-semana....talvez pedalasse uns 50km semanais (mais coisa menos coisa), ritmo que mantinha há cerca de 3 anos. Era assim que me mantinha em forma e estava em contacto com a natureza - sem contar com a minha hortinha, claro! Ora foi por esta altura (Março de 2016), que comecei a planear, a pesquisar e a confrontar-me com um conjunto de aspectos importantes a ter em conta, no projectar de uma viagem destas: condição física, condição mental e aspectos logísticos. Cedo percebi que era a dimensão física que teria de começar a trabalhar mais cedo. E assim começaram as primeiras caminhadas, que a pouco e pouco foram substituindo a bicicleta, até porque caminhar é moroso - não haveria tempo para ambas as actividades.

 

Adianto que no último mês de preparação, caminhava com a mochila a pesar o peso recomendado para este tipo de caminhadas (10% do peso do caminhante - no meu caso essa percentagem traduziu-se em 6kg). A carga da mochila e as distâncias das caminhadas, foram aumentando progressivamente e nas últimas 2/3 semanas de preparação, já caminhava cerca de 20km (pelo menos 2 vezes por semana) e com longuinhos de 25 a 30km, no fim-de-semana.

 

Para diminuir o impacto - temporal - de longas caminhadas, começava a caminhar ainda escuro, porque as caminhadas são mesmo time-consuming  - e também porque o calor começava a apertar o seu torniquete (principalmente nas caminhadas de fim-de-semana).

 

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 26 de Julho, 6:34, a 4km do ponto de partida - tinha de sair mesmo cedo! 

 

A viagem começou no Porto, a 5 de Julho e terminou 11 dias depois em Santiago de Compostela. Imensas histórias, aprendizagens e momentos muito bonitos. Foi uma experiência muito especial e que tem lugar cativo nas minhas memórias. Experimentem, a sério! Vale bem a pena!

 

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Sé do Porto, onde adquiri a credencial  do peregrino - documento que é carimbado ao longo do Caminho, atestando a nossa passagem pelas várias etapas e que permite entrada em albergues.Planeei a viagem sozinha e preparei-me física e mentalmente para a fazer sozinha. Claro que estava uma pilha de nervos. Chamaram-me doida, tentaram-me dissuadir... não resultou!

Doideira é fazer...triatlos e ultra-maratonas e ultra trails e coisas assim! :)

 

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Não, não é só caminhar por estrada ou estradões, também há disso...e disto!

 Companheiro de parte da etapa - Ponte de Lima a Rubiães (etapa 4). Estavamos a subir  o Alto da Portela Grande (405m). Mark, dos EUA, encontrou-me mesmo ao início desta... subida-parte-pernas...e costas...e tudo o resto. A 1.ª metade desta etapa fi-la sozinha, mas em boa hora tive companhia para esta empreitada, o Caminho encarregou-se de providênciar (alguns saberão do que falo)! Obrigada pela ajuda Mark, sei que não lês este blog,  mas não faz mal! Esta subida deixou uma mazela num pé que condicionou as etapas seguintes. É escusado dizer que caminhadas/treino não incluíram escalada ou caminhos com desnível...sou uma borda-de-água, caminhava pelas  lezírias, o pézinho não estava habituado a este tipo de esforço e cedeu.

 

 

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 Sim, é a bandeira!

Uns dias antes, Etapa 2  (Vilarinho - Barcelos) 7 de Julho, 6:43. Neste dia caminhei com uma peregrina da República Checa, que me tirou esta foto. Aqui estávamos prestes a atravessar a Ponte do Zameiro, Vila do Conde.

Portugal tinha jogado na noite anterior e ao bater País de Gales, estava na final do Euro!!! Pronto...entusiasmei-me e toca de cobrir a mochila com a nossa bandeira!  Grata a todos os condutores que me buzinaram! Peregrinos franceses e alemães acharam piada (no german and french way). Os peregrinos das outras nacionalidades davam-me os parabéns, que em nome de todos nós, agradeci de forma solene e sentida!

Três dias depois, Rubiães - Valença (etapa 5), corria o dia 10 de Julho. Fui a primeira peregrina a chegar ao Albergue de S. Teotónio (Valença). Tinha tempo e condição, apesar de lesionada, de entrar em terras de Espanha e ficar em Tui, mas era o dia da Final do Euro e Portugal defrontava França. Tive sempre muito presente - durante toda a viagem -  que precisava de estar em terras lusas quando Portugal jogasse, por isso decidi ficar em Valença. Este é um dos episódios que marcou a viagem, do qual falarei em pormenor noutra ocasião.

Resumindo este parentesis....enorme ... foi novamente com a bandeira a envolver a mochila, que no dia 11 de Julho, entrei em terras de Espanha, com Portugal sagrado Campeão Europeu!  Talvez tenha sido um pouco mete-nojo, mas saía-me orgulho por todos os poros! Não há fotos, porque caminhava sozinha e eu e as selfies...nahhh. Mas olhem o que estava escrito na ponte internacional de Valença (no lado português da ponte).

PS: os hermanitos deram-me os parabéns por diversas vezes, sublinhando a lição que demos nos franciús!

 

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 Apesar de rumar a Espanha, estava desertinha para olhar para os melões dos franceses! Pronto já não falo mais disto. fica para outra altura.

 

Depois de regressar dessa epopeia - sim, este post não é sobre a peripécias a Caminho de Santiago! - e descomprimir durante uns dias, continuei a sentir a necessidade de caminhar.  Surge o Agosto e com ele um pouco de praia. As caminhadas continuavam pela praia...nos intervalos das sessões de alarvamento de Bolas de Berlim (de farinha de alfarroba)!Passo um ano sem comer bolas de Berlim...mas na praia transfiguro-me....como imenso e faz parte da dieta 2 bolas de berlim por dia! Sim...uma é manifestamente pouco ....duas não é suficiente para fazer face à gula...mas tem de haver um limite...certo?

 

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Esta não é de alfarroba...essas não têm tempo de ser imortalizadas em fotografia! (Sim, com creme! Que pergunta é essa?!)

 

E foi precisamente na praia, durante uma caminhada-para-queimar-a-bola, que inspirada talvez pelos corredores de praia - alguns mais gazelas de beira-mar que outros -  decidi correr umas dezenas de metros. Ia morrendo! A meta foi entrar mar a dentro e mergulhar!

(voltei a falar de corrida! yeyyy!!!)

 

Quando regressei de terras algarvias, continuei a fazer caminhadas, mas para ter o mesmo kick (de endorfinas imagino eu), teria de passar muitas horas a caminhar. É que 10/12 km...sabiam a nada, mas fazer caminhadas de 20... já não eram compatíveis com nada! Foi quando comecei a pensar mais seriamente acerca de corrida, trail especificamente, dado que queria manter o contacto com a natureza, queimar caloria e continuar a fazer exercício físico menos time consuming - não sei porque não regressei à bicicleta...não senti o chamamento, acho eu!

 

Comecei a correr nos últimos dias de Agosto, de forma muito tímida  - e sofrida - a fazer as primeiras centenas de metros a correr e a pensar que morreria antes de as concluir! (No Início)

 

Grande história esta... e já meteu Santiago de Compostela, Seleção Nacional e Bolas de Berlim...maravilha! Tudo para dizer, que apesar dos episódios de "é desta que me fico", tinha na altura o organismo mais preparado para o esforço (bicicleta e muita caminhada em cima do lombo e pernas e tendões e no resto), do que hoje. Se por um milagre esta lesão passasse agora, acho que não aguentaria mais que 10 minutos a correr...vá... 12 minutos  antes de precisar de um desfribilador!

 

É verdade que estou lesionada, mas estou parada há tanto tempo que se não começar devagar (leia-se começar por caminhada), vou lesionar novamente! (não consigo parar de me queixar, sorry qualquer coisinha!). Portanto nos próximos tempos, as eventuais publicações terão a ver com experiências de caminhada, pedaladas, evoluções da lesão e quem sabe sobre temas menos interessantes, mas que me esforçarei para que se relacione com corrida, mesmo que remotamente, isto é, vou encher chouriços, até que tenha alguma coisa verdadeiramente interessante para dizer...sobre corrida!

 

E por falar em Seleção, amanhã joga Portugal!!!

E quem já foi procurar o cachecol (respeitinho que já tem 24 anos!), para amanhã ir trajada a rigor e assistir ao Portugal - Hungria, na casa que amanhã é de todos nós, mas mais um bocadinho dos aficionados do clube do meu coração? (ía ficando sem fôlego!)

 

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 Fiel companheiro!

 

Pronto....oficialmente o post mais estranho que escrevi!

 

 

 

20
Mar17

Estiquei-me mas correu bem !


Runner Wannabe

Lá me estiquei... e participei na Mini Maratona Vodafone...mas a caminhar...

 

Foi oficialmente a primeira vez que participei em qualquer coisa deste género. A vontade de ir e não querer decepcionar A já eram uma só coisa, indistinta. Foi bom ter conseguido concluir a missão!

 

Festança, boa disposição e atletas de todos os naipes competitivos, povoaram e reinaram o asfalto - motivo pelo qual não me senti minimamente excluída, apesar de coxa. :) Tivesse havido uma equipa de “Caracóis Mancos” e lá estaria nas suas fileiras! Mas não havia, na realidade estavamos espalhados por toda a malha humana que compôs o mar de atletas que atravessou a Ponte e chegou a Belém...ok, na chegada a Belém concentramo-nos mais...hmmmm.... no último quarto do vasto batalhão de pernas e corações saltitantes - que de súbito me fizeram lembrar de papoilas...e desde já um agradecimento às gentes Sadinas!

 

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 A aguardar o "tiro" de partida.

 

 

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 Boa disposição, pão, vinho, chouriço, torresmos e até mesmo aguardente!

 

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Esta trupe de corredores-piqueniqueiros-com-cabeleiras-de-palhaços e cheios de boa disposição, ofereciam à malta da Meia - que do outro lado da grelha, aquecia - só coisinhas boas! Ainda gostava de saber como correu a prova ao Japonês que aceitou torresmos e chouriço assado, ou como terão sido os primeiros quilómetros do atleta que pensando tratar-se de água, fez um penalti quase de meio copo de aguardente!

É uma casa portuguesa, com certeza!

 

A. esteve bem disposto e igual a si mesmo, agitado, energético, de sorriso rasgado e...correu quase toda a prova! Pois é, foi um bravo e pelas minhas contas correu cerca de 6km! Para além da medalha de finisher que recebeu da organização, recebeu de mim o calduço parabenizador – e costumeiro - que na nossa linguagem quer dizer, “boa puto!”. Passámos boa parte do tempo na galhofa, mas percorridos  alguns metros da ponte, o puto descolou e só o voltei a encontrar...ao almoço! Não, não foi sozinho, foi com o seu pai, que não sendo corredor - nem amador - mostrou potencial! :)

 

O meu resumo é simples.

O plano foi sempre caminhar, e devo dizer que foi cumprido com exactidão milimétrica - o que não significa que não tenha sido fustigada, emocionalmente, pelos ventos laterais das gazelas que corriam! “Para a próxima...” repetia este “mantra”, sempre que era acometida pela tentação de correr - nem que fossem só alguns metros. Ainda bem que não cedi, porque a meio da ponte o tornozelo começou a queixar-se, nada que a diminuição do ritmo não tivesse resolvido. O pior foi quando tive de voltar a reduzir o ritmo lá para o final da ponte... temi que fosse o canto do cisne, mas a verdade é que me estava a meter a jeito de algo me acontecer! Lá me aguentei o resto do percurso e na chegada a Belém já não sentia qualquer sinal de dor (oh yeah!!!)

 

Em ritmo de passeio, estive do lado certo da barricada e fiquei muito, muito contente por ter cortado a linha de chegada com um tempo de 1hora e quase 45 min (não é preciso aplaudir!). Devo dizer contudo, que acho ter sido penalizada! Devia receber uma bonificação, pois a linha de chegada foi cortada a fintar os outros finishers que tamponavam a zona com poses – mais ou menos fotogénicas -  emolduradas pela meta e pelo cronómetro da corrida!

 

Entendo, mas se estivesse a tentar fazer algum tempo, tinha abalroado alguém!

 

Fica o aviso feito, camarada corredor! ;)

 

 

Seguiu-se a hidratação, o reforço de açucar (obrigado Olá!), prevenção de hipotermia (como se não estivesse calor) e a "esperada" consagração, através da cerimónia de entrega de medalhas - voluntários a distribuir medalhas, como se não houvesse amanhã! A despachar, a despachar!!!

 

Uma caminhada ainda mais lenta, levou-me até ao CCB (local de encontro com os amigos e seus amigos), enquanto me lambuzava com gelado e via a relva subtituida por rostos ruborizados, sorrisos, alguns princípios de empenos e só um, somente um atleta a fazer alongamentos...depois não querem!

 

 Uma ilustração próxima do estado em que cheguei ao CCB. A espalhar charme desde a década de 70.

 

Tornozelo continuava sem doer! Mas ainda estava quente, né?

 

Depois de passar 1 hora sentada -durante o almoço – recebo uma chamada e de forma muito automática - e mais ou menos educada - levantei-me da mesa para atender e não incomodar o pessoal. Só quando do outro da linha me perguntaram como estava, é que percebi, que apesar do pé já ter arrefecido, não havia dor! (yessss!). Não pulei, nem corri de contente – não é que não tivesse vontade – mas fiquei-me pela satisfação de estar melhor do que imaginava....ao ponto de pensar “vai na volta, o que o tornozelo já estava a precisar... era de carga!” (mais alguém nota o perigo que ensopa esta frase, ou sou só eu?).

 

De regresso a casa, fiz tratamento de mimo ao tornozelo-que-se-portou-bem, sem desprimor do seu congénere da direita-  não quero ser injusta contigo, tornozelo direito, tens amparado muito bem o mano! Após banho, uma merecida massagem e nada de abusos durante o resto do dia. Hoje não sinto qualquer tipo de sequela, aliás sinto-o mais forte que nos dias anteriores....estarei a alucinar, demasiado cedo para lançar foguetes?

 

Pronto é isto! Estive onde queria, com quem queria, a dar o máximo que podia. Foi uma manhã muito divertida e bem passada! Para o ano há mais, assim espero, de preferência sem estar limitada! :)

 

15
Mar17

Lesões 3 - Corridas 0


Runner Wannabe

A minha lesão no pé reincidiu e desta vez nem sei o que fiz! Já caminhava normalmente mas ainda não tinha reiniciado as corridas, dado que continuava a sentir um desconforto (sem dor),  no tornozelo. Sinto que dei dois passos de gigante à retaguarda - e isto não se trata do "mamãezinha dá licença?".

Ao fazer as contas por alto, estou há tanto tempo parada por lesão quanto o tempo que passei a correr. E não, não se trata da mesma lesão. Três tipos de lesão me pararam durante cerca de 3 meses. Agora que me volto a magoar (a lesão n.3 está a reincidir), não sei quanto tempo precisarei para recuperar...e isto começa a desgastar o ânimo.

Este espacinho foi criado para a minha corrida, mas mais parece um tratado de lesões e mazelas, até porque o score fala por si: Lesões 3 - Corridas 0. É verdade que as lesões fazem parte da corrida, mas bolas, estou mesmo farta de regressar à Estaca Zero...parece que tenho lugar cativo nesta bancada!

Não vou conseguir acompanhar A. na Mini Maratona, nem mesmo a caminhar -  não há condições. Estou decepcionada, vou decepcionar A. e por isso, mais decepcionada fico! Pelo andar da carruagem, não sei se terei pelo menos, condições para assistir à  Meia Maratona. Mas se conseguir, lá estarei a apoiar os atletas - prepararei cartazes de incentivo, nesse caso - pode ser que ajude alguém!

Está mais que visto que vou ter de voltar às mãozinhas mágicas do Sr. Urbano, para tentar exorcizar mais esta mazela (aiiiiiii!!!) e deixar a corrida para quem pode e não para quem quer! E isto é mesmo assim, só  corre quem pode!

 

Bons treinos,

Boas corridas,

Nada de lesões!

 

 

10
Mar17

Eu tenho dois amores.


Runner Wannabe

 Com a paragem forçada durante os meses de Dezembro e Janeiro – por causa da ITB e problemas musculares – deixei de parte uma outra actividade cuja a estima é bem mais antiga que a corrida,  que me preenche não direi de igual modo, mas de um modo completamente diferente. Tenho dois amores e não questiono de qual gosto mais. São diferentes, gosto de ambos e ambos me ampliam e agora talvez se complementem!

 

Nunca antes trouxe esse meu interesse à baila, porque decidi que este espacinho seria só para a corrida e para os meus ataques de coitadice (mazelas, maleitas e respectivos queixumes). As limitações que me impediram de treinar, também vi impediram de (segurem-se), hortar! Tenho uma pequena horta, à qual regressei após esta longa paragem e que agora - pouco a pouco - resgato do matagal de infestantes (ervas), que sufocam as culturas de Outono.

 

Porque falo disso agora? Porque agora que regressei à horta, percebo como pode dar importantes contributos  à corrida. Como? Hortar proporciona oportunidades para efectuar reforço muscular e alongamentos! Não, não estou a brincar. Os trabalhos mais comuns numa horta são: tirar infestantes (ervas) à mão; sachar; ancinhar e regar. Com estas tarefas, o  trem superior é amplamento solicitado, com a região lombar a dar o litro e mais uma pinga. Regar a balde ou regador - por exemplo - desde que com o mesmo peso em ambos os braços e proceder ao seu levantamento resguardando a zona lombar - é seguro e trabalha variadíssimos grupos musculares. Mas onde noto mais diferença é nos braços e ombros! (Hulk, não te ponhas a pau, não!). No trem inferior, os músculos que mais sinto trabalhar são os da coxa (posteriores). Claro que é preciso equilibrar a intensidade, as repetições e amplitude de movimentos, nesse sentido é essencial: 1) estar atenta à mecânica dos movimentos e corrigir as posturas, 2) monitorizar a quantidade de esforço feita à esquerda que deve ser compensada à direita (e vice-versa); e 3) não permanecer mais que 15 minutos a fazer o mesmo tipo de esforço, isto é, alternar com outras tarefas. Ter noção das exigências musculares a que me sujeito ajudam-me a antecipar possíveis riscos de lesão - coisa para a qual agora estou mais que atenta. Deste modo, também posso seleccionar exercícios específicos que compensem grupos musculares menos solicitados, de modo a permitir o desenvolvimento e fortalecimento da musculatura, de forma equilibrada. Resolvi também fazer uma pequena sessão de alongamentos, antes de uma sessão deste tipo de "reforço muscular", para não apanhar o corpo desprevenido e evitar que faça mais uma birra!

 

Cuidar de uma horta dá-me um prazer imenso, mas não vou tirar a magia deste tipo de trabalho com uma obsessão pelas questões biomecânicas na execução das tarefas que lhe são inerentes. O que não quero é voltar a lesionar-me e qualquer um destes dois amores podem-me encostar à berma (talking about tough love).

 

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                        Cada amor exige o seu sapato (sim, tenho um sapato de corrida com cor-de-rosa...

                                                  isso é toda uma outra história!)

 

Aproveito para dizer que a minha horta está livre de qualquer tipo de fitofármaco, isto é, não são usados químicos de síntese. Recorro a técnicas alternativas e por isso o que produzo é de qualidade semelhante ou mesmo superior aos produtos biológicos certificados!

 

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                                 Alho francês e beterraba cheios de bom aspecto, acabadinhos de tirar da terra!

 

 

01
Mar17

Convite em dia de Carnaval - Mini


Runner Wannabe

 

O entusiasmo do meu amigo A. continua em alta. E de tanto insistir comigo, prometi-lhe há umas semanas, que quando estivesse em forma participaríamos numa prova.

Com o regresso aos treinos - depois de longa pausa - apontei baterias para uma caminhada que integra o III Trail de Almeirim, a 19 de Março. O plano era caminhar metade do caminho e correr a outra metade, mas entretanto magoei o pé - que está a melhorar devagarinho. A. nunca chegou a saber deste plano.

 

28 de Fevereiro...14:30...ish

 

Enquanto a maioria das pessoas andava na folia do Carnaval ...ou a recuperar da folia do Carnaval, moi même, estava de olhar esmorecido entre as datas de provas em que gostaria de participar... e o meu pé enfaixado. Risquei definitivamente o dia 19 de Março da agenda (post it) de participações-em-caminhadas-corridas-trails-e-afins. Fiquei triste por não cumprir a promessa a A., mas aliviada por não lhe dar cabo das expectativas - se o tivesse feito acreditar que finalmente íamos correr numa prova “oficial”.

Procurei online por sites que me mostrassem o calendário de provas de 2017 ( joaolima.net) e rabisquei num post it 3 datas de trails. Suspirei a olhar para elas e fui arejar os pensamentos, para não me consumir em pena pela minha condição de lesionada, cujo somatório já dura há quase tanto tempo quanto a de não lesionada (desde que comecei a correr, claro)!

 

28 de Fevereiro....19:10...ish

 

A. apareceu cá em casa - no seu típico estado energizado - a avisar-me que a sua mãe tinha-me telefonado várias vezes para me fazer um convite. Pensei que fosse partida de A., mas de facto tinha chamadas não atendidas no telemóvel...que estava no silêncio. Telefonei, e como A. tinha dito, surgiu um convite, mais especificamente, um convite para participar na Mini Maratona Vodafone no próximo dia...19 de Março! A. assistiu ao telefonema e portanto sabia o argumento que estava a dar para declinar o convite, que basicamente se resumia ao estar com o pé bastante limitado por causa de um tendão inflamado. Ainda assim, em modo receoso - de uma resposta negativa – perguntou-me: Vens correr comigo dia 19? Disse-lhe que não, e voltei a explicar a razão. O seu estado energizado desapareceu, baixou os olhos que tinham perdido o brilho e fez um sorriso nervoso, assimétrico e carregado de decepção. Agora além do pé que doía, tinha um valente nó no estômago. A. dirigiu-se para a porta sem dizer uma palavra. Várias coisas me passaram pela cabeça naqueles segundos e já nenhuma se referia a lesões - Espera A., espera! Eu vou contigo, vamos correr juntos. Se não conseguir correr, vou a andar. A. afastou-se da porta e disse - “A sério? Isso é brutal! Iluminou-se outra vez, tipo árvore de Natal, pediu que repetisse o que tinha dito e correu porta fora tipo mini tornado!

 

Para os corredores a sério  que participarem na meia maratona ou na mini, prometo esgueirar-me para uma das beiras, para ninguém ter me fintar. E se virem alguém coxo com uma t-shirt a dizer “Veículo em Marcha Muito Lenta”, digam olá!

 

 

26
Fev17

E umas tréguas, não?


Runner Wannabe

Ok, deve ser só uma fase... (vou repetindo várias vezes por dia...)

No último treino que fiz, senti uma dor na parte interior do tornozelo. Pensando que era falta de aquecimento, abrandei, mas continuei o treino já de si curto (3F, dia 21). Quando o pé arrefeceu, a dor voltou e persistiu o dia todo. A dor foi passando nos dois dias seguintes, até se tornar residual (5F, dia 23), mas por resguardo, decidi dar mais uns dias só para ter a certeza que a questão estava resolvida.

Manhã de 6F, dia 24...ao sair da cama o pé escorrega no chão e torce para dentro, solto um fo##-se a antecipar a dor que iria sentir - afinal o pé não estava bem. Não doeu assim tanto, foi mais o susto...até precisar do pé para andar! Magoei ainda mais o pé, que passado uns minutos inchou um pouco. Pensei que fazendo gelo algumas vezes, a coisa ía embora. Não foi e ontem ainda parecia mais dorido, apesar do gelo e dos cuidados com as cargas... Hoje sinto-o melhor...mas nisto passaram-se 5 dias sem treinar corrida.

Quantos mais dias de descanso de corrida? Não sei! Mas honestamente... já agradecia umas tréguas de lesões e impedimentos.

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                                      Crioterapia...

 

Já agora aproveito para partilhar o seguinte - provavelmente fui a última a saber, ainda assim vou partilhar - ao juntar água e álcool resulta uma solução que quando congelada adquire uma consistência não de gelo sólido, mas de um gel e portanto moldável. As proporções que usei foram próximas de 70% de água e 30% de álcool. Usei 2 sacos de congelar alimentos, para evitar fugas e resultou muito bem!

(Já que este blog parece estar a transformar-se mais num rol de maleitas e lesões, do que nas minhas experiências de corrida, mais vale começar a completá-lo com dicas úteis na recuperação das mesmas!)

 

 

 

23
Fev17

Paisagens & sítios por onde corro.


Runner Wannabe

 Os treinos estão a correr bem, contudo resolvi parar por um par de dias, para recuperar o pé esquerdo de uma dorzinha que senti no último treino. Pensei que fosse uma dorzinha de "ronha", mas quando o pé arrefeceu, senti-o um pouco melindrado, resolvi dar-lhe descanso. Mas a publicação de hoje tem que ver com outro assunto.

 

As paisagens da lezíria ribatejana são o enquadramento das minhas corridinhas. Sabe quem conhece esta zona, que consegue-se correr quilómetros a fio, terminando com virtalmente 0m de acumulado - o que coloca uma limitação para quem gostaria de se aventurar pelos trails! Imagino que para quem quer fazer estrada, esta topografia seja um sonho...mas não é o meu caso, não sinto o chamamento do asfalto. Gosto demasiado da comunhão com a natureza e pela diversidade de estímulos que ela propõe - facto que me distrai sobejamente e quando dou por mim, não olho onde ponho os pés, começo a acelerar, enfim coisas de maçarica! Para surpresa minha, dado que também gosto muito de fotografia, no conflito "paro ou não paro para fazer uma foto"  - à paisagem X ou ao pormenor Z -  ganha sempre o "não paro", para não desestabilizar a respiração. A "fotografa" que há me mim fica com aquele piquinho a azedo, mas a Corredora, nesta coisas argumenta: queres fotos? Volta cá de bicicleta! Resultado, ao longo de vários meses tirei somente um punhado de fotos, que agora aqui partilho. A qualidade das fotos deixa muito a desejar... paciência, é o que há!

 

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                                      O fim da "malha urbana" e o início do sossego.

 

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                                        O pôr do sol estava lindo. Fica a foto intencional.Repare-se no declive...inexistente!

 

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                                      Por vezes há cavalos jovens e curiosos junto a esta cerca. A semana

                                      passada um deles correu ao meu lado, mas no lado de dentro da cerca.

                                      Já tinha passado por ele, quando começou a correr. Estremeci toda com

                                      o som das suas passadas a aproximarem-se! Ganhou ele!

 

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                                    Muitos cavalinhos lá ao fundo - sim, aqueles pontos escuros na foto...

 

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                                  O pontinho vestido de rosa, é a colega de treinos domingueiros. Neste local

                                  a estrada esta alcatifada de trevos e caruma. Mais uma vez os declives são notórios (not).

 

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                                      E aqui está a colega a treinar outra coisa que não superfícies planas. Este é dos

                                      poucos locais que impõem algum desafio mais angular. Como se pode imaginar

                                      trata-se de uma relíquia!

 

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                                       Um bocadinho de um pequeno troço - lindo - por entre vegetação mais densa.

 

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                                    E outro bocadinho...

 

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                                      E ainda outro....

 

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                                     Já há papoilas!

 

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                                      Montejunto lá ao fundo, para eu não me esquecer do aspecto de uma serra!

18
Fev17

Dos 100m aos 9km em 15 dias.


Runner Wannabe

As cifras desta semana foram: 1,7km; 2km; 2,3Km e 3,3km (hoje). O joelho não doeu, as dores abdominais e lombares não incomodaram durante a corrida, mas lá se fazem sentir algumas vezes durante o dia - mas sem as intensidades incapacitantes de outrora.

Para o treino de hoje não tinha programado esticar mais que 300m a 500m, mas distraí-me e quando percebi quase que usei os travões de emergência, já tinha acrescentado 1km. Estava a sentir-me bem, estava nas nuvens a gozar a sensação, mas ainda assim decidi parar. Parei por resguardo, antes que um qualquer arame partisse, um parafuso desapertasse ou que uma mola saltasse...ok , já se percebeu o sentido! Não senti dores ou desconfortos, mas quando olho para trás, vejo que ainda não percorri a recta que começa na Estaca Zero e termina na esquina da Zona de Segurança! Ainda não dobrei essa esquina... e o que eu tenho de correr para a alcançar!

Os alongamentos e reforço muscular continuam e na corrida...lá vou esticando a pouco a pouco e com cautela, apesar de continuar a achar a "fruta muita". Claro que esta opinião depende do ponto de vista! E este é o meu:  nos últimos 10 dias corri mais  que nos meses de Dezembro e Janeiro, juntos! De outro modo: há 15 dias nem imaginava conseguir correr 100m! Esta semana corri pouco mais que 9Km.

Pouco a pouco, as evoluções vão aparecendo!

 

 

 

 

 

14
Fev17

De regresso aos treinos....mas aos poucochinhos!


Runner Wannabe

Cerca de 2 semanas após a ITB me ter afastado dos treinos (ler aqui e aqui), mais afastada fiquei, quando me vi a braços com um conjunto de dores e desconfortos na região abdominal e lombar. Depois de três médicos, um diagnóstico errado (e respectivo tratamento), muitos exames e análises a mostrar que tudo estava bem, as dores permaneciam. A hipótese de se tratar de uma questão muscular, esteve sempre presente, mas nunca foi a prioridade de quem me observou. Decidi dirigir-me a quem trabalha com atletas (profissionais a amadores), com o objectivo de ver confirmada -  ou desmentida -  a hipótese de se tratar de problema a nível muscular. A primeira recomendação que me fez foi, fazer alongamentos, a segunda foi.... correr - mas já lá vamos.

Para quem tinha diminuido drasticamente a solicitação da musculatura do core, para evitar as dores e os desconfortos -  ao longo de muitas semanas - fazer alongamentos pareceu-me...actividade no mínimo... ameaçadora do meu bem estar! Experimentei. Senti-me num filme em câmara lenta, dado o receio em magoar estruturas que sentia estarem fragilizadas, enfraquecidas. Confesso que as expectativas de que resultasse eram baixinhas, mas felizmente estava enganada! Comecei a sentir alívio dos sintomas logo no dia seguinte.

Alongamentos e alguns exercícios de core fazem agora parte da minha rotina diária (2x dia) -  de há  2 semanas a esta parte -  e os resultados começaram a aparecer. Uma semana após dar início aos alongamentos, fui recebida, por um mago das massagens, um milagreiro das recuperações, que me confirmou que pelo menos parte dos sintomas eram efectivamente de natureza muscular. A minha ITB, não passou despercebida e também fiquei a saber que o síndrome da ITB da perna esquerda estava em risco de se fazer sentir - bonito, uma não bastava! A sessão demorou 30 minutos e percebi na plenitude, uma sms que recebi de um amigo, um dia antes, dizendo: "boa sorte e grite à vontade". Houve muito suor, dor e as vocalizações sinalizando os dói-dóis, foram controladas por um buff que levei para segurar o cabelo - que coloquei na boca e mordi as vezes necessárias (muitas).

Resumidamente, levei uma tareia de todo tamanho, que só não me roubou energia para me questionar, como tinha aguentado! Mas aguentei, e regressarei! Foi-me recomendado que continuasse a fazer os alongamentos e que fosse correr no dia seguinte. Por esta é que não esperava, ainda para mais com o corpinho a ecoar dor a cada poro! Ok, estou a exagerar, o corpo só ficou magoado do pescoço para baixo -  e a ideia de correr no dia seguinte, parecia surreal, uma alucinação. E sim, foram muitas as dores que senti no dia seguinte ao acordar, ao levantar e durante os primeiros 2 ou 3 minutos! E depois... não sei para onde foram os  ais, uis, os dasss e as coxeadelas. Vesti o equipamento e lá fui eu...correr, 5 semanas após a última vez! ! Após aquecimento e alongamentos corri o que a ITB me deixou: 1km - sim, esperava ter podido correr um pouquinho mais, mas o meu foco estava sobretudo nas dores lombares e abdominais, que não se assanharam (yeyyy!!!) - a ITB já é uma velha conhecida, não me surpreendeu ter-se feito anunciar.

Passaram-se 5 dias desde que corri pela primeira vez e ontem foram registados 1,7km -  desta vez sem sintomas no joelho, abdómen ou região lombar. Parei por precaução. Parei porque achei a "fruta muita"!

As dores na região lombar e abdominal  ainda se fazem sentir, mas cada vez são menos intensas e aparecem com menor regularidade. Suponho que vá ser uma recuperação lenta - mas não me importo, desde que recupere!

Estou a recuperar aos poucos, estou de regresso aos treinos!

 

 

 

 

22
Jan17

Deste-me uma tareia sem me tocar com um dedo! Isso é magia!


Runner Wannabe

 Já tinha falado anteriormente de A – o amiguinho de 12 anos, cuja crença nas minhas skills atléticas continuam inabaláveis!

 

Muito recentemente....

 

 - Tenho uma coisa para te mostrar e sei que vais ficar contente! – disse entusiasmado.

 Honestamente, pensei que se tratasse de um teste com uma excelente classificação, mas não se tratava disso. Passou-me para a mão uma folha que consistia numa convocatória da escola, para participar numa competição de corta-mato a nível regional - e respectivo pedido de autorização dirigido ao encarregado de educação.

A. tinha razão, fiquei contente, aliás fiquei tão contente que parecia que a convocatória se dirigia a mim! :). Falámos entusiasmados durante alguns minutos sobre as características da prova e demos conta que a prova acontece, já daqui a 2 semanas. Foi super divertido ver a mente de A. “correr” até aos jogos olímpicos em apenas alguns segundos!

 

- Achas que sou capaz? - perguntou com a voz e os olhos arregalados de sonho.

- Acho que sim, A. mas vais ter de trabalhar muito, durante alguns anos. É precisa muita dedicação!

- E depois vais lá estar a ralhar comigo, para eu correr mais depressa?

- Podes ter a certeza disso, mas uma coisa de cada vez, ok? Agora pensas só nos regionais.

 

Por segundos ficamos calados (coisa difícil para ambos) e algo me diz que estavamos a “ver” o mesmo filme.

A. volta à realidade e sacode-me com a seguinte pergunta:

 

 - Podes-me treinar para os regionais?

A. não sou treinadora e nem sequer sou corredora a sério, pá!

- Vá lá, vá lá, vá lá! Tens de me treinar, só faltam 2 semanas!

- Estou lesionada, não te posso acompanhar!

- Mas não precisas de correr, só tens de contar o meu tempo!

 

Como podia dizer NÃO a A.? Se acredito que ele é um miudo com talento para a corrida – principalmente depois de aprender a controlar a respiração! :)

Como podia eu deixar de atiçar-lhe o “bichinho” da corrida?

Como podia eu dizer NÃO a um amigo que acredita que o posso ajudar?

 

Quatro sessões, prometi-lhe (não haverá tempo para mais).

 

 Já fizemos a 1.ª sessão, mas não sem antes discutirmos os estatutos....

 - Agora és a minha treinadora! Já disse ao professor de Educação Física que tenho uma treinadora!

- O quê? Eu não sou treinadora!

- És!

- Não sou!

- Se me estás a treinar, és minha treinadora!

- Sou tua colega de treinos, ok?

- Não! És minha treinadora!

-Teimoso, pá! És um teimoso! Já alguém te disse isso?

- Sim treinadora, a minha mãe está sempre a dizer isso! A minha mãe diz que sou mais que teimoso!

- Ai é? Corre puto !!!

 

Disse-me que sente as maiores dificuldades a subir, mas sobretudo a descer os desníveis, porque os acha muito inclinados - tem medo de cair - e que costuma chegar à meta quase a sufocar.

A. a correr e eu de bicicleta a seu lado, a controlar a sua velocidade e a dar-lhe dicas para controlar a respiração. Portou-se bem! O mesmo não se pode dizer de uma série de repetições de pequenas subidas e descidas, que o deixou de rastos!

 

No final da sessão...

 

- Ena que tareia...deste-me uma tareia sem me tocar com um dedo. Isso é magia!

- Não tens que agradecer! Já sabes, na próxima sessão há mais magia! – disse-lhe num ar forçadamente mauzão.

- Da próxima vai ser melhor, não vai?! Quantos segundos achas que vou ser capaz de tirar ao tempo de hoje?

 

Acho que esta última frase diz tudo, acerca da motivação de A!

 

 

 

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