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Runner Wannabe

Corredora amadora à beira dos 40, que aspira um dia começar e terminar um trail: a respirar, a conseguir proferir palavras do tipo “ajudem-me” e “água” ... e em controlo das suas funções biológicas básicas.

Runner Wannabe

Corredora amadora à beira dos 40, que aspira um dia começar e terminar um trail: a respirar, a conseguir proferir palavras do tipo “ajudem-me” e “água” ... e em controlo das suas funções biológicas básicas.

24
Mar17

Caminhar, antes de correr!


Runner Wannabe

Já estou parada há muito tempo e a lesão vai melhorando pouco a pouco. O mestre das mãozinhas mágicas tem agenda cheia até 2018 - estou a exagerar - mas vou ter que esperar uns dias....valentes, até que me ponha as mãos em cima - literalmente! Entretanto aconselhou-me a fazer massagens e gelo....e eu...vou fazendo...umas caminhadas também!

 

Um olhar sobre o passado recente.

Não é preciso recuar muito...basta um ano, para melhor perceber em que condições físicas comecei nas primeiras corridinhas versus a minha condição actual, após  lesões consecutivas.

 

Há um ano - por esta altura - baixou em mim a possibilidade de concretizar um desejo que já contava com alguns anos. Ir a Santiago de Compostela, a pé. Caminhar não era a minha cena, a minha cena era....bicicleta (BTT). Não que fizesse grandes quilometragens....hmmm...a contar com o fim-de-semana....talvez pedalasse uns 50km semanais (mais coisa menos coisa), ritmo que mantinha há cerca de 3 anos. Era assim que me mantinha em forma e estava em contacto com a natureza - sem contar com a minha hortinha, claro! Ora foi por esta altura (Março de 2016), que comecei a planear, a pesquisar e a confrontar-me com um conjunto de aspectos importantes a ter em conta, no projectar de uma viagem destas: condição física, condição mental e aspectos logísticos. Cedo percebi que era a dimensão física que teria de começar a trabalhar mais cedo. E assim começaram as primeiras caminhadas, que a pouco e pouco foram substituindo a bicicleta, até porque caminhar é moroso - não haveria tempo para ambas as actividades.

 

Adianto que no último mês de preparação, caminhava com a mochila a pesar o peso recomendado para este tipo de caminhadas (10% do peso do caminhante - no meu caso essa percentagem traduziu-se em 6kg). A carga da mochila e as distâncias das caminhadas, foram aumentando progressivamente e nas últimas 2/3 semanas de preparação, já caminhava cerca de 20km (pelo menos 2 vezes por semana) e com longuinhos de 25 a 30km, no fim-de-semana.

 

Para diminuir o impacto - temporal - de longas caminhadas, começava a caminhar ainda escuro, porque as caminhadas são mesmo time-consuming  - e também porque o calor começava a apertar o seu torniquete (principalmente nas caminhadas de fim-de-semana).

 

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 26 de Julho, 6:34, a 4km do ponto de partida - tinha de sair mesmo cedo! 

 

A viagem começou no Porto, a 5 de Julho e terminou 11 dias depois em Santiago de Compostela. Imensas histórias, aprendizagens e momentos muito bonitos. Foi uma experiência muito especial e que tem lugar cativo nas minhas memórias. Experimentem, a sério! Vale bem a pena!

 

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Sé do Porto, onde adquiri a credencial  do peregrino - documento que é carimbado ao longo do Caminho, atestando a nossa passagem pelas várias etapas e que permite entrada em albergues.Planeei a viagem sozinha e preparei-me física e mentalmente para a fazer sozinha. Claro que estava uma pilha de nervos. Chamaram-me doida, tentaram-me dissuadir... não resultou!

Doideira é fazer...triatlos e ultra-maratonas e ultra trails e coisas assim! :)

 

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Não, não é só caminhar por estrada ou estradões, também há disso...e disto!

 Companheiro de parte da etapa - Ponte de Lima a Rubiães (etapa 4). Estavamos a subir  o Alto da Portela Grande (405m). Mark, dos EUA, encontrou-me mesmo ao início desta... subida-parte-pernas...e costas...e tudo o resto. A 1.ª metade desta etapa fi-la sozinha, mas em boa hora tive companhia para esta empreitada, o Caminho encarregou-se de providênciar (alguns saberão do que falo)! Obrigada pela ajuda Mark, sei que não lês este blog,  mas não faz mal! Esta subida deixou uma mazela num pé que condicionou as etapas seguintes. É escusado dizer que caminhadas/treino não incluíram escalada ou caminhos com desnível...sou uma borda-de-água, caminhava pelas  lezírias, o pézinho não estava habituado a este tipo de esforço e cedeu.

 

 

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 Sim, é a bandeira!

Uns dias antes, Etapa 2  (Vilarinho - Barcelos) 7 de Julho, 6:43. Neste dia caminhei com uma peregrina da República Checa, que me tirou esta foto. Aqui estávamos prestes a atravessar a Ponte do Zameiro, Vila do Conde.

Portugal tinha jogado na noite anterior e ao bater País de Gales, estava na final do Euro!!! Pronto...entusiasmei-me e toca de cobrir a mochila com a nossa bandeira!  Grata a todos os condutores que me buzinaram! Peregrinos franceses e alemães acharam piada (no german and french way). Os peregrinos das outras nacionalidades davam-me os parabéns, que em nome de todos nós, agradeci de forma solene e sentida!

Três dias depois, Rubiães - Valença (etapa 5), corria o dia 10 de Julho. Fui a primeira peregrina a chegar ao Albergue de S. Teotónio (Valença). Tinha tempo e condição, apesar de lesionada, de entrar em terras de Espanha e ficar em Tui, mas era o dia da Final do Euro e Portugal defrontava França. Tive sempre muito presente - durante toda a viagem -  que precisava de estar em terras lusas quando Portugal jogasse, por isso decidi ficar em Valença. Este é um dos episódios que marcou a viagem, do qual falarei em pormenor noutra ocasião.

Resumindo este parentesis....enorme ... foi novamente com a bandeira a envolver a mochila, que no dia 11 de Julho, entrei em terras de Espanha, com Portugal sagrado Campeão Europeu!  Talvez tenha sido um pouco mete-nojo, mas saía-me orgulho por todos os poros! Não há fotos, porque caminhava sozinha e eu e as selfies...nahhh. Mas olhem o que estava escrito na ponte internacional de Valença (no lado português da ponte).

PS: os hermanitos deram-me os parabéns por diversas vezes, sublinhando a lição que demos nos franciús!

 

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 Apesar de rumar a Espanha, estava desertinha para olhar para os melões dos franceses! Pronto já não falo mais disto. fica para outra altura.

 

Depois de regressar dessa epopeia - sim, este post não é sobre a peripécias a Caminho de Santiago! - e descomprimir durante uns dias, continuei a sentir a necessidade de caminhar.  Surge o Agosto e com ele um pouco de praia. As caminhadas continuavam pela praia...nos intervalos das sessões de alarvamento de Bolas de Berlim (de farinha de alfarroba)!Passo um ano sem comer bolas de Berlim...mas na praia transfiguro-me....como imenso e faz parte da dieta 2 bolas de berlim por dia! Sim...uma é manifestamente pouco ....duas não é suficiente para fazer face à gula...mas tem de haver um limite...certo?

 

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Esta não é de alfarroba...essas não têm tempo de ser imortalizadas em fotografia! (Sim, com creme! Que pergunta é essa?!)

 

E foi precisamente na praia, durante uma caminhada-para-queimar-a-bola, que inspirada talvez pelos corredores de praia - alguns mais gazelas de beira-mar que outros -  decidi correr umas dezenas de metros. Ia morrendo! A meta foi entrar mar a dentro e mergulhar!

(voltei a falar de corrida! yeyyy!!!)

 

Quando regressei de terras algarvias, continuei a fazer caminhadas, mas para ter o mesmo kick (de endorfinas imagino eu), teria de passar muitas horas a caminhar. É que 10/12 km...sabiam a nada, mas fazer caminhadas de 20... já não eram compatíveis com nada! Foi quando comecei a pensar mais seriamente acerca de corrida, trail especificamente, dado que queria manter o contacto com a natureza, queimar caloria e continuar a fazer exercício físico menos time consuming - não sei porque não regressei à bicicleta...não senti o chamamento, acho eu!

 

Comecei a correr nos últimos dias de Agosto, de forma muito tímida  - e sofrida - a fazer as primeiras centenas de metros a correr e a pensar que morreria antes de as concluir! (No Início)

 

Grande história esta... e já meteu Santiago de Compostela, Seleção Nacional e Bolas de Berlim...maravilha! Tudo para dizer, que apesar dos episódios de "é desta que me fico", tinha na altura o organismo mais preparado para o esforço (bicicleta e muita caminhada em cima do lombo e pernas e tendões e no resto), do que hoje. Se por um milagre esta lesão passasse agora, acho que não aguentaria mais que 10 minutos a correr...vá... 12 minutos  antes de precisar de um desfribilador!

 

É verdade que estou lesionada, mas estou parada há tanto tempo que se não começar devagar (leia-se começar por caminhada), vou lesionar novamente! (não consigo parar de me queixar, sorry qualquer coisinha!). Portanto nos próximos tempos, as eventuais publicações terão a ver com experiências de caminhada, pedaladas, evoluções da lesão e quem sabe sobre temas menos interessantes, mas que me esforçarei para que se relacione com corrida, mesmo que remotamente, isto é, vou encher chouriços, até que tenha alguma coisa verdadeiramente interessante para dizer...sobre corrida!

 

E por falar em Seleção, amanhã joga Portugal!!!

E quem já foi procurar o cachecol (respeitinho que já tem 24 anos!), para amanhã ir trajada a rigor e assistir ao Portugal - Hungria, na casa que amanhã é de todos nós, mas mais um bocadinho dos aficionados do clube do meu coração? (ía ficando sem fôlego!)

 

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 Fiel companheiro!

 

Pronto....oficialmente o post mais estranho que escrevi!

 

 

 

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