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Runner Wannabe

Coisas da corrida de uma pretendente a corredora amadora.

Runner Wannabe

Coisas da corrida de uma pretendente a corredora amadora.

26
Abr17

Enquanto a malta ia para a corrida, eu ia para o massagista.


Runner Wannabe

Metro de Lisboa, Baixa-Chiado

Um conjunto de corredores fardados a rigor, entrou na “minha” carruagem e sacudiu-me do torpor matinal, de quem não se importa de passar pelas brasas por "só mais cinco minutos"!  Nas paragens seguintes, outros grupos que se dirigiam para o mesmo destino, juntaram-se à festa e compuseram a palete de cores da carruagem, com um claro predomínio de cores que se veem a partir da Lua!

 

Enquanto a malta ia para a corrida, eu ia para o massagista – pensava eu em jeito tugo-fatalista - mas depois lá me distraí com as conversas dos corredores - coisa tugo-típica.

Falavam de tempos, marcas, corridas, equipamentos, treino, particularidades do percurso, provas passadas e provas futuras.

Passaram-se algumas estações, passou-me o sono… e ali estava eu, disfarçada de “civil”, a sorver as informações, a achar piada e a pensar: na próxima Corrida da Liberdade, já poderei usar a vossa “farda” e seguir com o resto do batalhão!

Mais 2 ou 3 estações e sairia.

Desejei boa corrida aos corredores que estavam junto a mim e lá fui levar mais umas marteladas, para endireitar as peças tortas – assim pensava eu…

 

Zona de Benfica

Cheguei cedo…para variar!

Costumo chegar cedo a estas coisas. A culpa foi de uma avó, que me obrigava a estar meia-hora antes da hora marcada, de qualquer coisa! Era o seu conceito de pontualidade “não fosse alguma coisa acontecer", dizia ela.

A minha noção de pontualidade ficou irremediavelmente afectada, contudo, um pouco mais realista. Para mim ser pontual, é chegar 5 minutos antes. Mas desta vez cheguei 10 minutos adiantada!

A acompanhar a leitura de revistas-de-sala-de-espera, tinha como banda sonora, os discursos na  Assembleia da República, transmitidos em directo pela televisão, e os gemidos do cliente que me precedia, ao receber as "bênções" das mãos do Urbano.

 

Gaita! A seguir sou eu, eu sei que isto dói, mas logo de manhã apanhar uma “sova”? Bahhh….

Não me apetecia, a sério, mas tinha de ser!

 

Podes vir S. - disse o Urbano.

 

Antes do “enxerto”, fiz um relatório detalhado, dos quês, dos ondes e de alguma informação que tenha considerado pertinente.

As massagens e as dicas que o Urbano me tem dado, colocaram-me no caminho da recuperação. As evoluções são óbvias (agora), mas foram lentas e dolorosas. Contudo nos últimos dias, aconteceu um salto qualitativo na recuperação da lesão. Melhorias inesperadas na forma como sinto o  pé e tornozelo a reagir às solicitações do dia-a-dia, ou de pequenas corridas, fazem-me agora acreditar que a recuperação total já não será tão morosa. Mas deste assunto falarei na próxima publicação.

 

Para meu enorme espanto, durante a sessão não proferi mais do que 3 “ais”! Trinta minutos e 3 “ais”? É um record! Ainda pensei “será que me estou a habituar à dor?”.

O que se passa é que as inflamações estão a passar, logo as massagens não provocam dor de intensidade semelhante à sentida, em fases mais precoces da recuperação. Aliás, praticamente não senti dor!

Saí mole e relaxada, como não imaginava poder sair! Bocejava que nem uma perdida, e não fosse ter marcado um teste da passada, acho que me encostava a um canto e dormia!

 

Rumei à Sport Zone do Colombo, para o referido teste. Já o devia ter feito, é verdade, mas fico contente por não me ter enganado quanto ao resultado! Mas já lá vamos.

 

Cheguei 10 minutos antes da hora marcada (para variar) e aproveitei para namorar uns trapinhos. Com o aproximar da hora, e após o pagamento do teste, fui encaminhada para a zona de Running tendo-me sido pedido que esperasse junto à passadeira. Como não me apetecia estar sentadinha à espera, continuei a bisbilhotar os artigos de running! 

Excuse me, do you need any help? Um colaborador da Sport Zone, abordou-me assim.

Naqueles milisegundos ainda me senti tentada em responder no mesmo idioma, mas não resisti em desmanchar o mal-entendido.

 - Não, não obrigada, só estou à espera da pessoa que me vai fazer o teste da passada! É você?

 - Ah, desculpe, pensei que não fosse portuguesa!

 - Não faz mal, acontece às vezes.

 - Mas é você que me vai fazer o teste?

 - Não, é uma colega.Fez marcação?

 - Sim e já paguei!

- Vou chamá-la.

- Ok, obrigada!

 

Passados alguns minutos estava em cima da passadeira. Bicho estranho aquele, até nos habituarmos. Depois de uma caminhada, seguiu-se uma corridinha.

 - Costuma correr sem apoiar o calcanhar?

- Não, mas já notei que o estou a fazer aqui na passadeira, dê-me só mais uns segundos para me habituar.

Lá descontraí e o tum, tum, tum dos meus calcanhares lá se começou a fazer ouvir. Imagens feitas. Mas quanto a passadeira parou...vai de tonturas! Tive me agarrar ao braço da máquina e ainda tive de me sentar, para recuperar.

 

A senhora tem síndrome vertiginoso? 

Pensamento 1: Antes tratavam-me por menina, agora já é por senhora? Dassss.....!!!

Pensamento 2: Tenho é fome!

 

Não, deve ser o meu ouvido interno a demorar na atualização, nunca tinha andado nestas coisas, isto já passa!  

(é por estas e por outras que o título de "senhora"/cota se justifica plenamente!)

 

A análise da imagens revelou que apesar de ter passada pronada -  com o pé direito a pronar ligeiramente mais que o esquerdo - o grau não justifica o uso de calçado para passada pronada. A recomendação feita recaiu em calçado para passada neutra. Foi este resultado que sempre suspeitei que o teste mostrasse.

 

Perguntaram-me se estava interessada em experimentar alguns modelos, sem qualquer compromisso de compra. Aproveitei e experimentei 2 pares, uns Nike e uns Asics. O preço de cada um destes meninos tinha 3 dígitos, com os valores a tangenciar as duas centenas de euros! Ainda perguntei se os ténis traziam GPS incorporado, ou se caminhavam sobre a água, ou se carregavam baterias…enfim um rol de parvoíces que ilustravam o meu grau de exigência para com um produto…com aqueles preços!

Mas seria injusto não dizer, que ao experimentar um desses ténis (os Nike), apeteceu-me saltar para cima da passadeira e baixar dos 50’ aos 10K, sem treino, lesionada e antes de almoço…eu sei, ridículo…principalmente porque eram quase 13:00 e eu estava faminta! 

 

Felizmente tive a sorte num aspeto. A técnica que me atendeu, conhece os modelos de ténis que uso e confirmou que para as especificidades da minha passada, os ténis eram adequados. Claro que voltou a fazer referência a modelos super-hiper-mega-caros, mas era o papel dela!

 

Conclusões: andar de mochila e exibir um ar de surpreendida ou perdida, pode levar outras pessoas a pensarem que sou turista e por default, estrangeira; correr em passadeira, é estranho; o meu grau de pronação não justifica sapatos para pronadores; os sapatos que tenho são adequados; sapatos que tangenciam as duas centenas de euros, definitivamente têm de oferecer mais do que falsas sensações de recordes batidos, por margens bizarramente grandes!

 

Corridinhas

Desde a última publicação, aumentei os tempos de corrida. O sr. Tornozelo continua a acomodar bem a carga proposta, se bem que hoje, devido a outros factores, deu um ar de sua graça. 

Comecei por singelos  5' de tempo total de corrida. Depois 7', depois 9' e hoje já registei 11' (7'+4'). É um trabalho em progresso!

As corridas têm sido feitas em asfalto, mas esta manhã, por uma razão que não me recordo, decidi correr em terra batida. Má opção! Ainda é cedo para terra batida. O tornozelo sentiu saudades da estabilidade do asfalto, onde terei de treinar, até a articulação estar forte o suficiente, para conseguir absorver e compensar a instabilidade, provocada pelas irregularidades de estradas de terra batida.

Prossegui com cautela. O plano eram 7’ de corrida + 2’ de caminhada + 4’ de corrida + 2’ caminhada, que foi cumprido na íntegra…mas claro, sabe sempre a pouco! A parte cardio continua a reagir bem.

 

Agora é continuar atenta às sensações que vou tendo e ajustar, consoante considere seguro (espero ter bom senso).

Massagens (auto-massagens), exercícios específicos vão continuar, e com ou sem horta, exercícios de reforço muscular são para ser levados a sério, muito a sério, se me quiser juntar aos batalhões de corredores de “fardas”, cujas cores se veem da Lua! Corredores que comemoram a liberdade, causas solidárias, o bem-estar ou simplesmente a alegria de correr.

 

Bons treinos!

Boas corridas!

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